EDUCAÇÃO: OS PAIS PODEM AJUDAR!
Estamos todos de acordo: a educação em Portugal depende dos pais.
Por isso, depois de uma grande consulta aos seus associados, a Associação de Pais Relax de Portugal, lançou este spot, que contém todos os valores que interessam aos Novos Portugueses.
E... Em Inglês, porque como toda a gente tinha tido nega a português, prontos... como que a gente havemos de explicar isto mais bem...?
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
29 de março de 2008
27 de março de 2008
NA MORTE DOS NOSSOS BICHOS
A coisa não começou bem. Era Maio de 98 e o cachorro não parava quieto na casa de cartão maravilhosa que se lhe tinha arranjado para a viagem. Não tinha feitio para estar preso e viajar de carro 150 km não era bem a sua ideia de divertimento. Restava pouco do cão fofinho e branco quando lhe peguei, amaldiçoando a hora em que me tinha lembrado de arranjar um cão para a minha filha; vociferando com os deuses por terem criado uma raça de intestinos e paciência obviamente moles. Sujou a caixa em que vinha, sujou-me os assentos e deve-me ter sujado a mim. Mas o final da viagem foi mais tranquilo com o Droopy a dormir com a cabeça na minha perna. Sem cinto, claro.
E assim começou tudo. No meio do campo, entre sobreiros e ervas. Um caniche que se imaginava um cão-pastor e muito maior do que na realidade era. Nunca teve medo de rafeiros alentejanos, emprenhou altíssimas cadelas e a sua mancha branca vai-me aparecer sempre, como um fantasma pelo caminho de terra que conduz à casa.
Quando os bichos nos morrem, muitos anos depois de termos decidido corresponder ao seu afecto sem reservas, nunca se consegue bem explicar aos outros humanos, que foi mais um amigo que se perdeu. A morte é sempre pessoal, por isso toca os outros de uma forma mais mitigada. E ainda bem que assim é, porque alguém deve sobrar para nos consolar.
Corre, Droopy, corre. Pelo meio das ervas que algures estarão reservadas para ti, debaixo de um céu qualquer que a gente já não consegue ver. Ladra contra os gigantes e faz a tua vida, para sempre independente. Mas que alegria, amigo, se quando chegasse a nossa hora te víssemos vir a correr, feliz, ao nosso encontro...
A coisa não começou bem. Era Maio de 98 e o cachorro não parava quieto na casa de cartão maravilhosa que se lhe tinha arranjado para a viagem. Não tinha feitio para estar preso e viajar de carro 150 km não era bem a sua ideia de divertimento. Restava pouco do cão fofinho e branco quando lhe peguei, amaldiçoando a hora em que me tinha lembrado de arranjar um cão para a minha filha; vociferando com os deuses por terem criado uma raça de intestinos e paciência obviamente moles. Sujou a caixa em que vinha, sujou-me os assentos e deve-me ter sujado a mim. Mas o final da viagem foi mais tranquilo com o Droopy a dormir com a cabeça na minha perna. Sem cinto, claro.
E assim começou tudo. No meio do campo, entre sobreiros e ervas. Um caniche que se imaginava um cão-pastor e muito maior do que na realidade era. Nunca teve medo de rafeiros alentejanos, emprenhou altíssimas cadelas e a sua mancha branca vai-me aparecer sempre, como um fantasma pelo caminho de terra que conduz à casa.
Quando os bichos nos morrem, muitos anos depois de termos decidido corresponder ao seu afecto sem reservas, nunca se consegue bem explicar aos outros humanos, que foi mais um amigo que se perdeu. A morte é sempre pessoal, por isso toca os outros de uma forma mais mitigada. E ainda bem que assim é, porque alguém deve sobrar para nos consolar.
Corre, Droopy, corre. Pelo meio das ervas que algures estarão reservadas para ti, debaixo de um céu qualquer que a gente já não consegue ver. Ladra contra os gigantes e faz a tua vida, para sempre independente. Mas que alegria, amigo, se quando chegasse a nossa hora te víssemos vir a correr, feliz, ao nosso encontro...
24 de março de 2008
O PROBLEMA DA INVISIBILIDADE
Grande cagaçal à volta do coming out da apresentadora do Curto-Circuito, da Sic Radical. Quem costuma ver o programa (ainda que, por questões etárias, apenas de vez em quando) sabe que é uma das mais antigas e competentes apresentadoras do CC.
Os comentários no site do Expresso são mais do que reveladores da razão pela qual a Solange fez muito bem em vir dar a cara. A maioria prima por afirmar que "isso é um problema dela" e que "não deveria vir falar do assunto, porque se fosse heterossexual, também não vinha". É verdade. O problema é que essa "invisibilidade" também é uma forma de preconceito. Um rapaz e uma rapariga que se beijam no Metro será quanto muito "uma chatice". Duas raparigas "um escândalo que tenta convencer o mundo inteiro a ser gay".
Oh, valha-me Deus...
A Solange fez muito bem em vir dar o seu exemplo. Para que os milhares de raparigas que sofrem, caladas, no meio das suas famílias e amigos, abram os olhos. Que se limitem a ser elas. Quer eu goste, quer não. Dizer até que já ninguém tenha paciência para dar importância ao caso. Até que se vulgarize o que nunca deveria ter sido invulgar: a singularidade do espírito humano.
ps1: mais corajoso do que ter vindo dizer-se lésbica, foi o facto da pobre rapariga ter resisitido à produção de moda que lhes fizeram. O Expresso está definitivamente a tentar ficar para a História como o jornal com as produções de roupa e cabelos mais nojentas do planeta.
ps2: Epá... Este comentário foi um bocado gay... Alto será que não tenha o Expresso à perna a perguntar-me se não quero tirar umas fotografias vestido de Carmen Miranda para o próximo número ;)
Grande cagaçal à volta do coming out da apresentadora do Curto-Circuito, da Sic Radical. Quem costuma ver o programa (ainda que, por questões etárias, apenas de vez em quando) sabe que é uma das mais antigas e competentes apresentadoras do CC.
Os comentários no site do Expresso são mais do que reveladores da razão pela qual a Solange fez muito bem em vir dar a cara. A maioria prima por afirmar que "isso é um problema dela" e que "não deveria vir falar do assunto, porque se fosse heterossexual, também não vinha". É verdade. O problema é que essa "invisibilidade" também é uma forma de preconceito. Um rapaz e uma rapariga que se beijam no Metro será quanto muito "uma chatice". Duas raparigas "um escândalo que tenta convencer o mundo inteiro a ser gay".
Oh, valha-me Deus...
A Solange fez muito bem em vir dar o seu exemplo. Para que os milhares de raparigas que sofrem, caladas, no meio das suas famílias e amigos, abram os olhos. Que se limitem a ser elas. Quer eu goste, quer não. Dizer até que já ninguém tenha paciência para dar importância ao caso. Até que se vulgarize o que nunca deveria ter sido invulgar: a singularidade do espírito humano.
ps1: mais corajoso do que ter vindo dizer-se lésbica, foi o facto da pobre rapariga ter resisitido à produção de moda que lhes fizeram. O Expresso está definitivamente a tentar ficar para a História como o jornal com as produções de roupa e cabelos mais nojentas do planeta.
ps2: Epá... Este comentário foi um bocado gay... Alto será que não tenha o Expresso à perna a perguntar-me se não quero tirar umas fotografias vestido de Carmen Miranda para o próximo número ;)
21 de março de 2008
PROFESSORAS E TELEMÓVEIS
(Suspiro) Palavras para quê? É uma aluna portuguesa e usa pasta medicinal ANALFABETA PARA A VIDA. Não se agarra aos livros, mas o telemóvel ninguém lhe tira...
A quem é que esta criança estúpida irá ligar, daqui a uns anos, quando não tiver comida em casa?
Tudo o que escrevi em baixo é sublinhado por esta (vulgar)performance.
(Suspiro) Palavras para quê? É uma aluna portuguesa e usa pasta medicinal ANALFABETA PARA A VIDA. Não se agarra aos livros, mas o telemóvel ninguém lhe tira...
A quem é que esta criança estúpida irá ligar, daqui a uns anos, quando não tiver comida em casa?
Tudo o que escrevi em baixo é sublinhado por esta (vulgar)performance.
17 de março de 2008
WIND
Perguntam-me, em entrevista, se estou a escrever um novo livro.
Sim, digo. E depois de o dizer ficou tudo natural. Às claras.
Em cima, o título provisório. Aqui, um excerto (não revisto, claro), recolhido aleatoriamente:
" Passou um bando de pássaros por cima das nossas cabeças enquanto estávamos a tentar recuar no tempo, mas nenhum de nós foi capaz de lhe subir para as costas. Até que por fim, eu disse: Quis encontrar-me contigo para que pudéssemos, por uma vez na vida falar inteiramente verdade. Ele olhou para mim, as pálpebras pesadas, os papos debaixo dos olhos, as rugas a tapar a cara toda. E vi que isso nunca aconteceria. Lembras-te daquela viagem que queríamos fazer, um dia mais tarde? Sim, Gostava muito de a ter feito, de termos arranjado tempo, só os dois para andar aqueles quilómetros todos, dormir na beira da linha férrea, enfrentar a humidade e os insectos em nome de um afecto que um dia existiu, Sim, eu também gostaria de a ter feito. Queres um cigarro? Quero."
Perguntam-me, em entrevista, se estou a escrever um novo livro.
Sim, digo. E depois de o dizer ficou tudo natural. Às claras.
Em cima, o título provisório. Aqui, um excerto (não revisto, claro), recolhido aleatoriamente:
" Passou um bando de pássaros por cima das nossas cabeças enquanto estávamos a tentar recuar no tempo, mas nenhum de nós foi capaz de lhe subir para as costas. Até que por fim, eu disse: Quis encontrar-me contigo para que pudéssemos, por uma vez na vida falar inteiramente verdade. Ele olhou para mim, as pálpebras pesadas, os papos debaixo dos olhos, as rugas a tapar a cara toda. E vi que isso nunca aconteceria. Lembras-te daquela viagem que queríamos fazer, um dia mais tarde? Sim, Gostava muito de a ter feito, de termos arranjado tempo, só os dois para andar aqueles quilómetros todos, dormir na beira da linha férrea, enfrentar a humidade e os insectos em nome de um afecto que um dia existiu, Sim, eu também gostaria de a ter feito. Queres um cigarro? Quero."
O TAMANHO DO MUNDO
Leio no Público que por ano desaparecem 27.000 espécies, enquanto, na televisão, os jornalistas me tentam convencer que as palavras de um político português em visita a um mercado "são da maior importância".
Ora, tenham dó. Ou pelo menos a noção das proporções...
Leio no Público que por ano desaparecem 27.000 espécies, enquanto, na televisão, os jornalistas me tentam convencer que as palavras de um político português em visita a um mercado "são da maior importância".
Ora, tenham dó. Ou pelo menos a noção das proporções...
13 de março de 2008
11 de março de 2008
SETÔR
Tenho evitado falar em público sobre a questão dos professores. Porque me parece confusa e cheia de equívocos. De parte a parte.
A razão pela qual os professores saíram da modorra conformada em que, na sua generalidade, habitualmente vivem, tem pouco a ver com a avaliação em si. E o governo deveria ter percebido isso. Não creio que a maioria tenha grandes problemas em preencher folhas de auto-avaliação ou a ser avaliados pelas chefias. Embora saibam que a dinâmica das aulas é outra quando um corpo estranho se infiltra no grupo, todos eles (falo dos ensinos básico e secundário, já que no superior, ninguém recebeu qualquer formação para o que está a fazer...) já estiveram nessa situação aquando do estágio. E acredito que a maioria gostaria de fazer mais e melhor.
Os professores saíram para a rua porque na última década têm visto o seu trabalho a ser menosprezado. Uma geração filha de pessoas com pouca formação académica, mas o rei na barriga pelo 7º ano tirado aos coices, sediada nas franjas das cidades e vilas, tomou conta da escola. Uma escola fraca, democrática, estupidamente democrática, que não percebeu o que aí vinha. Hoje, as aulas estão cheias de desordeiros, vândalos, totalmente legitimados e desresponsabilizados pelos pais e pelo Estado. O limitte desapareceu. E quando algum professor tenta traçar uma linha é agredido, insultado pelos pais e processado pelo Ministério.
A juntar a isto, veio a ameaça de despedimento. A insegurança. A razão por que muitos aguentavam esta humilhação constante. E o medo está a empurrá-los para a frente.
Creio, sinceramente, que este governo socialista produziu mais reformas em Portugal, reformas de fundo, do que todos os governos dos últimos 30 anos juntos. Mexeu com tudo e com quase todos. E cumpriu, na sua generalidade, tudo aquilo para que foi eleito: meter ordem na casa. Falta-lhe, contudo, a sensibilidade para distinguir o essencial do acessório e de ver até onde o esticar da corda sufoca os mais fracos. E o de confundir o medo das pessoas com a manha preguiçosa dos sindicatos. Faz muito bem em não dar ouvidos à súcia que suga trabalhadores e estado há 30 anos, sejam eles CGTPs, Ugts ou quejandos. Mas precisaria de ouvir os professores e todos aqueles que dizem, "Queremos participar da mudança só não queremos desaparecer por causa dela".
Tenho evitado falar em público sobre a questão dos professores. Porque me parece confusa e cheia de equívocos. De parte a parte.
A razão pela qual os professores saíram da modorra conformada em que, na sua generalidade, habitualmente vivem, tem pouco a ver com a avaliação em si. E o governo deveria ter percebido isso. Não creio que a maioria tenha grandes problemas em preencher folhas de auto-avaliação ou a ser avaliados pelas chefias. Embora saibam que a dinâmica das aulas é outra quando um corpo estranho se infiltra no grupo, todos eles (falo dos ensinos básico e secundário, já que no superior, ninguém recebeu qualquer formação para o que está a fazer...) já estiveram nessa situação aquando do estágio. E acredito que a maioria gostaria de fazer mais e melhor.
Os professores saíram para a rua porque na última década têm visto o seu trabalho a ser menosprezado. Uma geração filha de pessoas com pouca formação académica, mas o rei na barriga pelo 7º ano tirado aos coices, sediada nas franjas das cidades e vilas, tomou conta da escola. Uma escola fraca, democrática, estupidamente democrática, que não percebeu o que aí vinha. Hoje, as aulas estão cheias de desordeiros, vândalos, totalmente legitimados e desresponsabilizados pelos pais e pelo Estado. O limitte desapareceu. E quando algum professor tenta traçar uma linha é agredido, insultado pelos pais e processado pelo Ministério.
A juntar a isto, veio a ameaça de despedimento. A insegurança. A razão por que muitos aguentavam esta humilhação constante. E o medo está a empurrá-los para a frente.
Creio, sinceramente, que este governo socialista produziu mais reformas em Portugal, reformas de fundo, do que todos os governos dos últimos 30 anos juntos. Mexeu com tudo e com quase todos. E cumpriu, na sua generalidade, tudo aquilo para que foi eleito: meter ordem na casa. Falta-lhe, contudo, a sensibilidade para distinguir o essencial do acessório e de ver até onde o esticar da corda sufoca os mais fracos. E o de confundir o medo das pessoas com a manha preguiçosa dos sindicatos. Faz muito bem em não dar ouvidos à súcia que suga trabalhadores e estado há 30 anos, sejam eles CGTPs, Ugts ou quejandos. Mas precisaria de ouvir os professores e todos aqueles que dizem, "Queremos participar da mudança só não queremos desaparecer por causa dela".
7 de março de 2008
29 de fevereiro de 2008
DOCUMENTÁRIO - URBANO - WORK IN PROGRESS
Hoje percebi, subitamente, que faço documentários como escrevo livros: mergulho impiedoso no coração das personagens, procuro a imagem que revela o que não se diz, junto duas fotografias aparentemente díspares, para criar significados que não pretendem ser mais do que formas de trazer à luz o invisível que alguém traz dentro. O melhor que posso, com o pouco que tenho.
Hoje, durante a montagem, fiquei mesmo contente de não ter dado ouvidos a quem me aconselha a não me meter nas coutadas privadas, neste caso, o cinema. Como se ir até ao fim de um trabalho criativo com a maior honestidade não tivesse qualquer valor.
Hoje percebi, subitamente, que faço documentários como escrevo livros: mergulho impiedoso no coração das personagens, procuro a imagem que revela o que não se diz, junto duas fotografias aparentemente díspares, para criar significados que não pretendem ser mais do que formas de trazer à luz o invisível que alguém traz dentro. O melhor que posso, com o pouco que tenho.
Hoje, durante a montagem, fiquei mesmo contente de não ter dado ouvidos a quem me aconselha a não me meter nas coutadas privadas, neste caso, o cinema. Como se ir até ao fim de um trabalho criativo com a maior honestidade não tivesse qualquer valor.
18 de fevereiro de 2008
A RODA
Pode ser tudo invenção para reconfortar o medo do futuro, mas há uma figura do Tarot que me parece justa: A Roda.
Tudo se move, o bem e o mal, a prepotência e a justiça, os dias claros e os dias escuros.
E se esta crença torna melancólicos os dias felizes, também ilumina, debilmente, os que parecem não ter fim.
Pode ser tudo invenção para reconfortar o medo do futuro, mas há uma figura do Tarot que me parece justa: A Roda.
Tudo se move, o bem e o mal, a prepotência e a justiça, os dias claros e os dias escuros.
E se esta crença torna melancólicos os dias felizes, também ilumina, debilmente, os que parecem não ter fim.
16 de fevereiro de 2008
ÉVORA 2
Foi muito emocionante voltar à Biblioteca Pública de Évora, tantos anos depois.
Serviu-me de refúgio muitas vezes nos conturbados anos de adolescência.
Fechava às 5h, se bem me lembro, o que me obrigava a ler a correr, antes de fazer a pé os 2 ou 3 quilómetros até casa. Mas voltava sempre.
Entrar nela agora guiado pelo seu actual director, José António Calixto, foi uma recompensa inesperada.
Toquei as prateleiras novas, em nome das velhas, agradecendo-lhes as horas, as breves horas, de alegria, desses tempos.
A repetir.
Foi muito emocionante voltar à Biblioteca Pública de Évora, tantos anos depois.
Serviu-me de refúgio muitas vezes nos conturbados anos de adolescência.
Fechava às 5h, se bem me lembro, o que me obrigava a ler a correr, antes de fazer a pé os 2 ou 3 quilómetros até casa. Mas voltava sempre.
Entrar nela agora guiado pelo seu actual director, José António Calixto, foi uma recompensa inesperada.
Toquei as prateleiras novas, em nome das velhas, agradecendo-lhes as horas, as breves horas, de alegria, desses tempos.
A repetir.
14 de fevereiro de 2008

RESPONSABILIDADE SOCIAL
Por razões que não vêm ao caso, fui convidado a pronunciar-me sobre o trabalho de sustentação social de uma empresa. Foi curioso, por ser um tema que me interessa há muito. A ideia que uma empresa deve devolver à comunidade de onde recolhe os seus lucros parte desse enriquecimento.
Não sei se o governo estará a preparar alguma lei nesse sentido, porque sinto movimentações no sector. Mas atendendo à escalada daquilo que os comunistas costumavam chamar, e bem, o "Capitalismo Selvagem", parece-me óbvio que a única coisa que as empresas vão fazer é arranjar esquemas de cobrarem aos clientes essa responsabilidade.
É curioso como no meio desta crise económica, da aflição que está a comer a maior parte da população portuguesa, as grandes empresas ainda se assanhem mais para ganhar dinheiro. Mas, basta observar a natureza para saber que o medo e a dor nos olhos do gamo só atiça mais a violência e voracidade do leão.
Na verdade, penso que estamos todos a cair pela ravina abaixo, predadores e presas misturados, mas se calhar tem de ser assim. Só lá em baixo, do meio das rochas afiadas é que a nova ordem poderá surgir.
13 de fevereiro de 2008
7 de fevereiro de 2008
FESTIVAIS
Uma das coisas que mais se diz aos seleccionadores e programadores de de cinema, é que se tem uma rica vida. Passar dias e noites a ver filmes parece o paraíso.
Tentando simplificar a explicação, peço apenas que imaginem um jantar com o vosso prato favorito, mas com uma sopa horrível e uma sobremesa banal. Agora, visualisem o que é comer essa refeição, em meia-dúzia de variantes, durante meses e meses.
É isso, programar festivais de cinema.
Gosta-se muito, mas não é nem fácil nem, frequentemente qualquer coisa parecida com entretenimento.
Como diriam os meus vizinhos do lado: "C'est du travail, quoi!"
Uma das coisas que mais se diz aos seleccionadores e programadores de de cinema, é que se tem uma rica vida. Passar dias e noites a ver filmes parece o paraíso.
Tentando simplificar a explicação, peço apenas que imaginem um jantar com o vosso prato favorito, mas com uma sopa horrível e uma sobremesa banal. Agora, visualisem o que é comer essa refeição, em meia-dúzia de variantes, durante meses e meses.
É isso, programar festivais de cinema.
Gosta-se muito, mas não é nem fácil nem, frequentemente qualquer coisa parecida com entretenimento.
Como diriam os meus vizinhos do lado: "C'est du travail, quoi!"
5 de fevereiro de 2008
30 de janeiro de 2008
MINISTRA DA CULTURA
Sai um erro de casting e entra, sem casting, uma "pessoa culta, que se interessa pela música e pela leitura". Bom, pior não pode ser. Tivesse também desaparecido o sinistro secretário de estado e entrado alguém competente para o lugar dele e estaríamos todos mais confiantes.
Pode ser, mas à primeira vista, parece-me uma escolha de engenheiro: para a cultura vai um tipo simpático que goste dessas coisas e não se importe de perder um ano ou dois a ir à abertura do S.Carlos. Sobretudo, um que não faça o chefe de família perder tempo com excentricidades e saiba que o lugar da Cultura é no salão. Ali, onde as damas sorriem coquetes por detrás dos leques de seda.
Já estamos habituados.Se fosse alguém que nos desse esperança é que seria de admirar.
ps: afinal, o senhor da ópera também se foi embora. Veio uma chefe de gabinete, ou coisa parecida, de não sei onde para o lugar. Obrigado pela sua visão para a Cultura, senhor engenheiro.
Sai um erro de casting e entra, sem casting, uma "pessoa culta, que se interessa pela música e pela leitura". Bom, pior não pode ser. Tivesse também desaparecido o sinistro secretário de estado e entrado alguém competente para o lugar dele e estaríamos todos mais confiantes.
Pode ser, mas à primeira vista, parece-me uma escolha de engenheiro: para a cultura vai um tipo simpático que goste dessas coisas e não se importe de perder um ano ou dois a ir à abertura do S.Carlos. Sobretudo, um que não faça o chefe de família perder tempo com excentricidades e saiba que o lugar da Cultura é no salão. Ali, onde as damas sorriem coquetes por detrás dos leques de seda.
Já estamos habituados.Se fosse alguém que nos desse esperança é que seria de admirar.
ps: afinal, o senhor da ópera também se foi embora. Veio uma chefe de gabinete, ou coisa parecida, de não sei onde para o lugar. Obrigado pela sua visão para a Cultura, senhor engenheiro.
23 de janeiro de 2008
RAIO DE LUAR
Acabo tarde, o meu pequeno-almoço. Culpa do Luiz Pacheco e de ter desenterrado da estante uma compilação de crónicas publicadas há uns tempos. Algumas escritas nos anos 90, julgo.
Mesmo morto me faz rir, o Pacheco. Mesmo da casa de repouso onde está a escrever ou, na maior parte dos casos, a lembrar, ele me devolve uma realidade que é a mesma, delicadezas semânticas à parte.
Leitores de bestsellers: corram às livrarias e perguntem pelo Luiz Pacheco. Vão ver que o vosso percurso entre as prateleira de livros vai mudar, quando no próximo Natal forem fazer as comprinhas.
Começo tarde, o dia de trabalho, mas não consigo evitar a satisfeita sensação de que já o ganhei.
Acabo tarde, o meu pequeno-almoço. Culpa do Luiz Pacheco e de ter desenterrado da estante uma compilação de crónicas publicadas há uns tempos. Algumas escritas nos anos 90, julgo.
Mesmo morto me faz rir, o Pacheco. Mesmo da casa de repouso onde está a escrever ou, na maior parte dos casos, a lembrar, ele me devolve uma realidade que é a mesma, delicadezas semânticas à parte.
Leitores de bestsellers: corram às livrarias e perguntem pelo Luiz Pacheco. Vão ver que o vosso percurso entre as prateleira de livros vai mudar, quando no próximo Natal forem fazer as comprinhas.
Começo tarde, o dia de trabalho, mas não consigo evitar a satisfeita sensação de que já o ganhei.
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